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O livro “50 Fatos Que Mudaram a História do Rock”, de Paolo Hewitt, foi escrito de forma a listar 50 acontecimentos que ficaram gravados para sempre na história do Rock and roll. A obra é dividida em 50 capítulos que contam, cada um com média de 4 páginas, histórias que envolvem grandes espetáculos, consumo de drogas excessivo, mortes trágicas e artistas emblemáticos que deixaram registrados de um jeito ou de outro a sua influência no mundo da música.

Paolo Hewitt deixa claro que alguns eventos são inegavelmente históricos para a contribuição da história do Rock, porém existiram outros que foram incluídos no livro por escolha do próprio autor.

Embora o título do livro seja “50 Fatos Que Mudaram a História do Rock”, há capítulos que abordam cantores com estilos musicais variados, mas que também foram relevantes em seu meio e época, como o funk de James Brown (este responsável por influenciar diversos outros gêneros musicais) ou o rap de Tupac.

Algumas passagens do livro, embora citem momentos específicos que demonstrem a importância de um fato, dão a impressão de estarem ali mais para ressaltar o valor de determinada banda para o cenário da música, do que para o fato em si. Por exemplo, a obra dedica um espaço à entrevista atrevida que a banda Sex Pistols fez um certo dia e que é provavelmente desconhecida para muita gente atualmente, mas ficou a lembrança de uma banda que apesar de durar apenas 3 anos, se tornou um referencial no punk rock. Nirvana foi outra banda importantíssima por revigorar o rock depois de anos de marasmo, e é citada em um capítulo por um beijo que Krist Novoselic deu em Kurt Kobain em um show, vista como uma atitude de provocação mas que passa despercebida na extensa memória do rock.

Dos 50 momentos, alguns são incontestavelmente inesquecíveis:

-Elvis Presley, o Rei do Rock , é citado em dois capítulos do livro. O primeiro fala sobre a sua participação no show de Frank Sinatra em 1960, marcado com enorme significância já que era a primeira vez em três anos que o astro realizava uma performance musical em frente a uma plateia após voltar do exército. O segundo capítulo tenta detalhar mais sobre o histórico encontro entre Elvis e os Beatles em 1965. O lançamento de “That’s All Right Mama”, considerado o marco inicial do Rock não foi citado.

-Os Beatles logicamente também estão incluídos em mais de um capítulo. Um conta a origem da banda, outro narra a arrebatadora participação no programa de Ed Sullivan em 1964, outro fala sobre o lançamento do reverenciado álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band em 1967, e mais um que aborda o triste assassinato de John Lennon em 1980.

-Sobre Michael Jackson, que também não podia ficar de fora, o autor preferiu dedicar um capítulo retratando a sua morte chocante em 2009. Acredito que em questão de relevância, talvez tivesse sido melhor discorrer sobre o impactante lançamento do álbum Thriller, o mais vendido de todos os tempos e que marcou o início de uma nova era do pop.

Entre outros momentos que recebem atenção no livro destaco alguns abaixo.

Espetáculos importantes:

-Festival de Woodstock, aclamado como o maior festival de música da história, ocorreu em 1969. Os três dias de música ficaram eternamente simbolizados como a expressão máxima do lema paz e amor do movimento hippie.

-Live Aid foi um concerto realizado em 1985 com a pretensão de arrecadar recursos financeiros por uma justa causa: combater a fome no continente africano. O concerto obteve a adesão dos mais variados e conceituados artistas de todo o globo.

Mortes Trágicas:

-Sam Cooke foi um cantor e empresário, considerado pela revista Rolling Stone como o 4º maior cantor de todos os tempos. Morreu em 1964 aos 33 anos, baleado dentro de um hotel pela gerente do estabelecimento, que alegou legítima defesa.

-Brian Jones foi o fundador da banda The Rolling Stones, reconhecida como uma das maiores de todos os tempos, e mundialmente tão famosa quanto duradoura. Sua morte prematura em 1969 ocorreu um mês depois de ter sido forçado a sair do grupo, afogado em sua piscina.

-Marvin Gaye faleceu em 1984 assassinado por seu próprio pai, depois de diversas discussões que tiveram após o encerramento de uma turnê. Marvin foi um dos compositores mais talentosos de sua geração e alçado ao status de símbolo sexual.

Atitudes polêmicas:

-Jim Morrison, o mítico vocalista do The Doors, foi acusado de atentado ao pudor em um show que realizou na cidade de Miami em 1969. Na época o músico foi preso e obteve libertação após pagar fiança. Quarenta anos mais tarde, recebeu um perdão póstumo.

-Sinead O’Connor rasga a foto do papa João Paulo II em um programa de televisão ao vivo no ano de 1992. Seu protesto contra os abusos sexuais cometidos por membros da igreja foi mal visto e prejudicou a sua imagem e sua carreira.

Outros fatos curiosos:

-O grupo The Beach Boys quase contratou o psicopata Charles Manson para trabalhar como produtor musical da banda. O mentor dos assassinatos brutais ocorridos em 1969 se envolveu por um tempo com um dos membros da banda.

-Bob Marley se apresenta no concerto “Smile Jamaica” apenas dois dias depois de ser alvo de uma tentativa de assassinato.

-Na metade dos anos 90, as britânicas Oasis e Blur disputavam o posto de banda mais bem sucedida do país, e o lançamento de singles marcados para o mesmo dia intensificou essa briga. Apesar do Blur vencer essa pequena disputa, Oasis levou a melhor mais tarde com o sucesso do álbum “(What's the Story) Morning Glory?”.

“50 Fatos Que Mudaram a História do Rock” é muito bem escrito e bem informativo. Revelam-se muitos detalhes que não são conhecidos do público. Acredito que faltou citar algumas figuras importantíssimas como Ray Charles, Axl Rose, Freddie Mercury e Ramones. Recomendado para quem deseja entender mais a influência dos músicos e da transformação pela qual o rock passou ao longo de todo esse tempo.

“50 Fatos Que Mudaram a História do Rock” - 272 páginas - Autor: Paolo Hewitt

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